A Assembleia Geral das Nações Unidas designou o dia 29 de setembro como o Dia Internacional de Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentares. A quinta comemoração deste dia tem lugar hoje, 27 de setembro, destacando a Comissão Europeia a necessidade crítica de financiamento para reforçar os esforços de redução das perdas e do desperdício de alimentos, contribuir para alcançar os objetivos climáticos e fazer avançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Neste Dia Internacional de Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentares, é fundamental sublinhar que, embora o mundo produza alimentos suficientes, 735 milhões de pessoas passam fome a nível mundial. Na UE, em 2023, 42,5 milhões de pessoas não puderam pagar uma refeição que contivesse carne, peixe ou um equivalente vegetariano de dois em dois dias. Reduzir a perda e o desperdício de alimentos é vital para a segurança alimentar, para dietas mais saudáveis e para um sistema alimentar mais resiliente e sustentável.
Em 2022, foram desperdiçadas 1,05 mil milhões de toneladas de alimentos nos agregados familiares, serviços alimentares e retalho da UE. O desperdício alimentar esgota os recursos naturais, custa à UE 132 mil milhões de euros por ano e é uma questão económica e ética. A fim de acelerar os esforços da UE neste domínio, a Comissão propõe que, até 2030, os Estados-Membros tomem medidas para reduzir o desperdício alimentar em 10% na transformação e no fabrico, e em 30% conjuntamente no retalho e no consumo (restaurantes, serviços alimentares e agregados familiares). Os objetivos propostos pela UE visam reduzir significativamente o desperdício alimentar, apoiando os meios de subsistência e o ambiente.

O desperdício alimentar tem um enorme impacto no ambiente, estimando-se que os resíduos alimentares gerados na UE em 2020 sejam responsáveis por 252 Mt de CO2, o que representa cerca de 16% do total das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) do sistema alimentar da UE. Na UE, se os resíduos alimentares fossem um Estado-Membro seria o quinto maior emissor de gases com efeito de estufa. O investimento na economia circular para reduzir a perda e o desperdício de alimentos pode contribuir para alcançar impactos incrementais significativos na mitigação das emissões de GEE e no reforço da resiliência.

Na UE, a maior parte do desperdício alimentar ocorre nos agregados familiares (53% do total de resíduos alimentares), seguindo-se o setor da transformação e fabrico (20%). As empresas do setor alimentar e outras organizações, escolas, universidades e instituições de ensino desempenham um papel fundamental na formação dos comportamentos dos consumidores para reduzir o desperdício alimentar.

A perda e o desperdício de alimentos conduzem a perdas económicas importantes, com impacto nas empresas e nos consumidores. Ao reduzir o desperdício alimentar, podemos melhorar a segurança alimentar, diminuir as emissões de GEE e poupar dinheiro e recursos que, de outro modo, seriam desperdiçados. Por exemplo, um agregado familiar de 4 pessoas na UE pouparia, em média, cerca de 400 euros por ano se o desperdício alimentar fosse reduzido em 30%.

Investir na redução da perda e do desperdício alimentar é essencial para melhorar a segurança alimentar, reduzir as emissões de GEE e garantir um futuro sustentável. O financiamento inteligente em termos climáticos pode gerar impactos significativos, beneficiando tanto a economia como o ambiente.

Ajude-nos a acabar com a perda e o desperdício de alimentos. Pelas pessoas. Pelo planeta.
Saiba mais:
https://madeiracircular.madeira.gov.pt/desperdicio-alimentar
https://food.ec.europa.eu/safety/food-waste/eu-actions-against-food-waste/frequently-asked-questions-reducing-food-waste-eu_en?prefLang=pt&etrans=pt