Em 2022, foi realizado o primeiro estudo para avaliar a concentração de radão (Rn) no interior das habitações da Região Autónoma da Madeira, utilizando 185 detetores em várias localizações nas ilhas da Madeira e Porto Santo. Os resultados indicaram, de forma geral, níveis baixos de radão, com mais de 70% dos valores medidos abaixo de 50 Bq/m³ e uma média aritmética de 57 Bq/m³. No entanto, observou-se uma elevada variabilidade nos dados, com um coeficiente de variação de 126%, refletindo uma ampla dispersão de valores num intervalo de 2 a 396 Bq/m³. Conclui-se, assim, que, embora a probabilidade seja reduzida, não é nula a possibilidade de ocorrerem pontualmente situações em que a concentração de radão exceda o nível de referência estipulado na legislação nacional para espaços confinados (300 Bq/m³).
Como o estudo inicial não forneceu dados suficientes para a criação de um mapa de suscetibilidade à exposição ao radão, conforme estipulado pela legislação nacional, foi estabelecida em 2023 uma parceria entre a DRAM e a Universidade de Coimbra, com o objetivo de elaborar mapas de risco de exposição ao gás radão nas principais ilhas do arquipélago (Madeira e Porto Santo). Este trabalho baseou-se em medições de radão no ar interior dos edifícios e em dados geológicos, incluindo a taxa de dose por exposição à radiação gama, a concentração de radioisótopos nos materiais geológicos e os níveis de radão nos solos. Os resultados revelam um cenário semelhante em ambas as ilhas, caracterizado por um baixo risco de exposição ao gás radão, ou seja, não é esperada uma concentração de radão igual ou superior a 300 Bq/m3 em pelo menos 10% dos edifícios. A metodologia utilizada para a modelação do risco e os respetivos resultados podem ser consultados em anexo.
As zonas de risco identificadas no mapa de risco, em anexo, têm por base as unidades geológicas, que podem atravessar múltiplos limites administrativos, podendo ser encontrado na mesma divisão administrativa diversos níveis de risco. Do ponto de vista organizacional, é comum atribuir um único nível de risco a cada divisão administrativa (concelho ou freguesia), resultando num mapa de suscetibilidade ao Rn.
Para garantir uma metodologia comparável na elaboração do mapa regional de suscetibilidade ao Rn em relação ao restante território português, classificaram-se as divisões administrativas de terceiro nível segundo o respetivo nível de risco, aplicando a seguinte abordagem:
I. Freguesia com mais de 10 % de área de risco elevado — Freguesia de suscetibilidade elevada;
II. Freguesia com mais de 10 % de área de risco moderado e com menos de 10 % de área de risco elevado — Freguesia de suscetibilidade moderada;
III. Freguesia com menos de 10 % de área de risco elevado e menos de 10 % de área de risco moderado — Freguesia de suscetibilidade baixa.
A aplicação dessa metodologia permitiu obter o mapa de suscetibilidade à exposição ao radão para a Região Autónoma da Madeira, apresentado na imagem acima, assim como o índice de suscetibilidade ao radão por freguesia, disponível em anexo.
O mapa de suscetibilidade ao radão permite avaliar se uma habitação ou local de trabalho está situado numa zona de maior suscetibilidade, ajudando a tomar as medidas necessárias conforme a especificidade do local. No entanto, é importante ter em conta que o mapa de suscetibilidade indica apenas os níveis médios de radão para cada zona, não devendo ser utilizado para prever o nível de radão em edifícios específicos. Para se ter a certeza das concentrações de radão em determinado edifício (casa, local de trabalho, etc.) é necessário realizar medições no local.